Constelação Familiar

A ciência e magia da constelação familiar explicada pelo psicoterapeuta Jordan Campos, que além de formar consteladores, tem em seu espaço um núcleo de pesquisa e prática em constelação familiar sistêmica e transpessoal.

 

Há alguns anos adotei na minha prática clínica a Constelação Familiar, e posso dizer que encontrei a linha de costura perfeita para os dramas psicológicos de difícil solução. Em todas as minhas práticas em consultório ou ao vivo, a base da Constelação Familiar tem lugar certo e se você me acompanha já deve ter percebido. Uma forma psicoterapêutica desenvolvida pelo filósofo e psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, que durante muito tempo foi visto como algo oculto ou ligado aos misticismos espirituais. Estamos falando aqui que campos mórficos, neurônios espelhos e física quântica.

Vou dar um exemplo prático de constelação familiar através da observação direta de alguns grupos de animais que andam em bandos. “Ao observamos o voo de um bando de pássaros você já deve ter percebido como eles mudam de direção em uma velocidade que seria impossível para os outros pássaros do bando verem o que estão fazendo e responderem aos “vizinhos” apenas ao os observarem. Tudo acontece muito rapidamente para eles conseguirem fazer isso. O mesmo exemplo de constelação familiar se aplicaria à cardumes de peixes, eles nadam juntos e mudam de direção sem trombarem um nos outros. Não apenas sabem aonde seus “vizinhos” estão, como sabem para onde eles irão. E eles não fazem isso apenas ao observarem seus vizinhos ou por sentirem a densidade da água ao seu redor. Tudo isso está relacionado ao fenômeno do campo que os governa ou outro tipo de campo mórfico que organiza o grupo. ”

Constelação Familiar e o voo dos pássaros em grupo.
Constelação Familiar e o voo dos pássaros em grupo.

Sim, somos bandos de pessoas nos achando sozinhas e cheias de identidade, mas que no fundo pertencemos a um conjunto de crenças, valores, tradições e honras. Ligados por imensa necessidade de pertencimento, igualdade e respeitando hierarquias. Muitas vezes nos identificamos com histórias de nossos ancestrais e repetimos as suas “danças”, em um ritual de honra que pode comprometer uma vida.

Constelação familiar, um exemplo acontecido em meu consultório:

Aquela mulher entrou na sala com um olhar cabisbaixo e imensamente melancólica. Ao ser perguntada como poderia a ajudar, narrou que sua vida era marcada por infortúnios, por mazelas, que era uma “pobre diaba” – que decerto haveria de ter pregado os pés do cristo na cruz. Ela exalava o próprio caos.

Perguntei desde quando aquilo tudo existia em sua vida.

Contou-me que seu problema era simples. Disse que tudo se resumia no simples fato de não ter pai. Que isso era terrível e não podia conviver com aquilo mais. Que por não ter pai não teve base, referência, que rejeitou homens, amores, profissões e que para piorar toda a desgraça do mundo a acometia.

Constelação Familiar: eu não tenho pai
Constelação Familiar: eu não tenho pai

O peso de suas palavras me doeu tanto a cabeça que levantei para tomar água e sutilmente sentei numa poltrona mais distante e continuei a escutá-la para sair um pouco daquele campo denso.

Contou que sofreu abuso sexual aos 13 anos e que não teve um pai para defendê-la. Contou que logo depois foi atropelada e fraturou a bacia ficando seis meses sem andar e perdeu de ano. No primeiro dia de volta às aulas, depois de recomposta a fratura, contradizendo a teoria de raios que não caem em mesmo lugar, um ônibus invadiu o ponto em que estava e mais uma vez foi vítima de acidente, desta vez lesionou a mandíbula e quebrou as costelas. Passou mais dois meses na cama. Contou que concluiu o ensino médio aos 24 anos, por ter repetido o ano sete vezes, sempre por motivos trágicos, nunca intelectuais. Conta que passou em um concurso público e o mesmo foi cancelado. Que conseguiu depois de muitas negativas um bom emprego em uma companhia aérea e que no dia do seu primeiro salário sofreu um sequestro relâmpago, e mais um estupro. Que arrumou um namorado e um dia antes de casar, descobriu que a despedida de solteiro dele foi em uma boate gay, e que ele era homossexual e que não admitiria isso. Cancelou a cerimônia no dia. Esperava um filho e não sabia. O filho nasceu com uma disfunção e hoje é uma criança especial…

– Chega, chega!!! – falei à mulher.

– Mas eu ainda não terminei – retrucou.

– Não precisa terminar. Já entendi o suficiente.

– Então, concorda que eu sou um estorvo? Uma placenta criada e não a criança?

– Suas crenças são fortes, senhora.

– Tudo culpa de eu não ter um pai, sabia?

(silêncio)

– Senhora, me permite uma sinceridade?

– Sim, diga logo, fale tudo – pedia ela.

– A senhora é a primeira pessoa no mundo que conheço que não tem pai.

A mulher ficou pálida com a afirmação e me olhou desconcertante.

– Como assim? … – murmurou ela.

– Sim, está tudo então explicado, entendi tudo. A senhora é marcada pelo absurdo, pois é a única pessoa no mundo que não tem pai. Eu conheço pessoas que não tiveram o pai ou a mãe que queriam, mas mesmo assim são filhas de uma mãe e pai. Mas a senhora, me permita… Diz isso como se literalmente fosse uma filha sem pai. E isso é impossível, absurdo, louco. Então como esperaria que fosse a sua vida com este postulado, com esta crença? Quantas vezes deve ter repetido que não tinha pai e que isso era a culpa de tudo?

Ela me fitava os olhos com lágrimas.

– Senhora, – continuei – sua vida toda foi marcada por coisas tão surreais como o fato de uma pessoa não ter pai. E tenho uma coisa para te falar que talvez te choque muito.

– Nossa! – Disse ela – Depois disso tudo eu aceito qualquer coisa – afirmou pedindo, a mulher.

– Preciso te dizer que você tem um pai.

Ela me olhava com espanto e as lágrimas corriam de sua face.

– Repita o que vou te dizer – pedi a ela – Diga: eu tenho um pai. Experimente isso.

– Ela entendendo a ‘simplicidade complexa’ daquilo tudo, repetiu a frase.

(…)

A partir daquele dia os absurdos na vida da mulher acabaram. Ela retomou a vida, encontrou um belo noivo, pensa em se casar e assumiu uma vaga de gerente em uma empresa de vinhos.

Simplesmente foi mostrado a ela o poder de nossas crenças e a simplicidade de apenas mudar o foco, a palavra ou mesmo argumento repetido e mentiroso que muitas vezes carregamos por anos. A palavra tem poder, a repetição daquela mentira tinha se tornado uma verdade e feito da sua vida um absurdo.

Essa foi a história da mulher que não tinha pai. E que hoje tem, mesmo ausente e não da forma que quis, um pai. E é preciso honrar a verdade. E ela nos honrará de volta lavando as nossas almas.

Constelação familiar, outra situação:

Imagine uma mulher que não sabe expressar seus sentimentos. É bonita, bem sucedida financeiramente por ter passado em um bom concurso, mas não consegue ter amigos e parceiros – dizem que ela é fria, que não sabe demonstrar o que quer e frequentemente se afasta das pessoas rapidamente, sem motivo aparente – quando ela precisa beijar, se declarar, agradecer, fazer o melhor sexo… Ela recua e desiste. Observando a infância dela em uma conversa com a mãe descobre-se que ela era muito chorona, “chorava demais”. A criança muitas vezes estava com fome e queria se alimentar no peito materno e chorava por isso, mas não era atendida. De repente, quando não chorava, a mãe a pegava e colocava os seios em sua boca e oferecia leite. Ela foi se acostumando a entender que quando expressava seus sentimentos era negada e nunca atendida, bastava então não mostrar nada e era beneficiada. Isso se gravou no seu subconsciente como um programa e afetou seus genes modificando a leitura destes. Aprendeu assim, sem saber, a esconder o que sente e não manifestar sua emoção. Ficou fria, frígida e teve um relacionamento só, aos dezesseis anos, que resultou numa filha precoce. Hoje, a menina é tímida, triste e está aos 12 anos tomando antidepressivos. A escola diz que ela não consegue interagir com os coleguinhas. A menina fez o download do programa da mãe, que veio da negação de seu sentimento de fome no berço.

Resumindo:

Preciso falar algo importante.

Algo não muito bonitinho como se espera em mensagens típicas do tema,

Mas algo profundamente sincero.

Talvez uma receita com nível “moderado” de se fazer, mas urgente em se preparar.

Estou aqui para dizer que Amar não é fácil como andam falando por aí.

Nossa, tem tanta gente “amando errado” ou confundindo este nobre sentimento!

Se amar fosse fácil não haveria tanta fome e injustiça, nem tanto egoísmo e revolta.

Não haveria tantos filhos com “casa”, mas abandonados de alma, sem Lar.

Meu consultório andaria mais vazio…

Não, amar não é fácil: é uma construção no gerúndio.

E o mais importante é que não se pode querer ousar amar se ainda existir medo em você. Não se ama por que pode ser mais fácil ou está na moda: se ama porque é preciso! Pois não há sentido se não houver amor. Lá no final de sua vida você pode entender isso. Ou agora.

Sim, então você vai desistir?

Não, jamais desista sem tentar, sem se jogar mesmo de cabeça.

Esqueça os tempos convencionais ditados pelos pais de seus pais…

Eles não tiveram escolhas e talvez nunca amaram de verdade.

E sem querer, e jamais por maldade, carregamos esta herança de troca do cômodo pelo possível amor de livre escolha.

Você nunca terá a resposta se não arriscar – colocar tudo de ponta cabeça.

Este “trem” passa rápido, e nem todo mundo vai te entender quando resolver fazer isso.

Desligue o telefone do “todo mundo” e troque o “quero ser” pelo que você realmente é.

E vire então, o seu mundo de cabeça para cima.

Levante, corra atrás, antes que o amanhã chegue e seu corpo possa não estar mais lá.

Arrisque ser alguém além do que esperam de você.

Ou do que projetaram para você.

Sinta os sons, os cheiros e sabores.

Arrisque agradecer e não pedir mais nada, até provar tudo e de todos os lados.

Às vezes o velho pode bater na sua porta, “lobos maus” precisando de alimento…

Lembre de tudo que você já passou, de tudo que te doeu, de quantas vezes se sentiu vítima, e que não existem vítimas, apenas contextos.

Arrisque saber ganhar!

E ler um jornal de boas notícias.

Ele pode estar agora em baixo de sua porta…

E você com suas culpas, medos e amarras.

Assistindo ao noticiário violento das oito.

Ou ao drama platônico da novela das dez que deveria ser às oito.

Trace uma meta e chegue nela. Se meta na meta.

Feche os olhos viciados do rosto e abra os olhos do coração.

“A verdade te libertará”! Um Ser de luz muito sábio disse isso…

Não procure substitutos para pseudo-amores fracassados, nem por tempo perdido.

Cada pessoa é única, esqueça os rótulos.

Perdoe seus pais por talvez não terem dado tão certo como você vai dar agora.

Como uma criança eterna que será para eles… (entenda isso).

Estejam ou não vivos, “sente” com eles e peça autorização para simplesmente ir.

Sim, literalmente faça isso e sinta a leveza depois.

Quando os pais seguram seus filhos todos adoecem…

Quando eles deixam os filhos irem, eles sempre voltarão.

Vai, vai lá.

Eu acredito em você!

Boa semana!!!

Na minha prática clínica, uso também a constelação familiar, terapia de regressão, PNL, e terapia transpessoal. Em grupos ou individual. Temos psicoterapeutas treinados e prontos a atender em nosso Núcleo de Terapia Integrada Jordan Campos.

Jordan Campos

Psicoterapeuta Clínico Transpessoal
Núcleo de Terapia Integrada Jordan Campos
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